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Rede de Mentiras
(Body of Lies, 2008)

Por: Eduardo Maurício

"A velha rinha de sempre, a CIA pendurada no saco dos terroristas e vice versa, Espionagem, Perseguições, Mortes, Torturas e Conspirações não faltam neste eletrizante filme de 'Ação'"

Desde os atentados de 11 de setembro as torres gêmeas, os cineastas de hollywood viram dali uma nova forma de investir em inimigos mais espertos, temíveis e com recursos capazes de afundar uma cidade num mar de medo.

Desde então já era possível tirar aquele vilão frio dos quadrinhos e posicioná-lo para brigar com o típico herói ou anti-herói americano todo cheio de pátria dentro de si, vieram então uma maré de filmes se apoiando no novo subgênero terrorista, alguns foram felizes como Vôo United 93 (O único que retratou o lado 'negro' da força) outros não se saíram muito bem por voto popular ou de crítica.

Rede de mentiras não segue um rumo diferente dos demais, dirigido pelo aclamado Ridley Scott (Gladiador) o filme busca apoio sobre o peso mental de um fodão agente americano que por hora, enxerga o lado amargo da guerra que atualmente cursam.

Seu nome é Roger Ferris (DiCaprio), ele está na Jordânia para ajudar na captura de um perigoso terrorista conhecido como Al-Saleem (só pra não falar Bin Laden), direto de seu país natal, recebe ordens do frio egoísta Ed Hoffman (Crowe) que incrivelmente monitora toda situação ao mesmo tempo em que cuida de sua família de forma sínica e tranquila.

Mesmo que o novo filme de Ridley Scott seja tão degustador de se assistir e busque retratar da melhor e pior forma possível o relacionamento dos americanos com a galera do Oriente médio, sua máscara não dura muito tempo para apresentar suas verdadeiras intenções, ele escolheu um bom tema para retratar, mas não como uma crise política tão séria quanto Syriana nos apresenta, ficou mais estilo Diamante de Sangue (também estrelado por DiCaprio), que apesar de tocar num assunto curioso, apela com toneladas de pólvora e muita violência se declarando abaixo de qualquer assunto que possa levantar discussões a respeito, ficando apenas como um intrigante thriller de ação com toquinhos de drama, evidentemente a verdadeira face de Rede de Mentiras.

Não sou muito fã do Leonardo DiCaprio mas admiro seu trabalho como ator, é um cara que faz jus a sua fama independente de sua vida particular, ele se mostra muito bem envolvido na trama e convence com sua transformação de agente estressado para agente perturbado, e um dos poucos personagens que corre e se ferra no filme (lembra ate um pouco seu personagem em 'Os Infiltrados'), mas é um pouco massacrado pela queda no roteiro assinado pelo considerável William Monahan (Os Infiltrados). outro que não faz feio e o Ator Russell Crowe, que de longe nos lembra o sarado gladiador Maximus, agora vemos um titio gordão com cabelos brancos e de Óculos, excêntrico apesar de inteligente e cheio de querer fazer piadinhas de tudo, crápula 'herói' nacional que não poupa esforços para dar uma ordem que pode comprometer 100% de vidas alheias, ou seja, um cara idêntico a Al-Saleem, o que é fácil de se notar quando se dribla o caminho que o roteiro quer nos fazer acreditar.

Seria também um pecado não citar a forte atuação de Mark Strong como Hani, o intimidador e elegante líder de inteligência jordânica dotado de honra e assustadoramente seguro de suas ações pouco previsíveis.

Para completar o elenco principal temos a enfermeira Aisha (Golshifteh Farahani), a vítima mais clara e evidente da queda a mesmice do roteiro que se torna cada vez mais clichê, ela representa a Jennifer Connely de diamante de sangue, a Megan Fox de Transformers, a mulher com quem o cara vai tentar viver uma paixonite no desenrolar da trama e que futuramente vai vir a ser vítima de alguma maldade do suposto vilão.

Mas rede de mentiras e de longe um filme ruim, toda sua produção e beautful de se ver, desde a fiel fotografia ao adequado e bem estudado figurino que substitui os panos islâmicos pelo famoso moletom e tênis adidas.

Ensaiadas sequências de ação que contam com a ajuda da câmera trêmula, a famosa fórmula para nos trazer o mais próximo possível das explosões e dos tiroteios, e um vale 'vai e volta' numa curta edição direto das terras amarelas e do calor escaldante do oriente médio ao tranquilo e delicioso clima das terras asfaltadas da América.

Sem mais delongas, os minutos finais são um tanto quanto brochantes e tiram aquela restante sensação de que o filme não seguiria um final politicamente correto, infelizmente acontece. Parece que Ridley ficou com medo de cair na mesmice de matar o personagem de DiCaprio, já que os personagens do ator há um bom tempo não permanecem vivos ate os últimos momentos do filme.

Desaconselhável para menores de 16 anos
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