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Duplicidade
Por: Lucas Procópio
04/06/2009
''Não bastasse ótimos e inteligentes diálogos, o roteiro ainda reserva uma misteriosa e intricada narrativa que brinca com a capacidade interpretativa e a imaginação do espectador'' (Lucas Nerd)
Diretor e roteirista do superestimado Conduta de Risco que levou nada menos que 7 indicações ao Oscar, Tony Gilroy ataca novamente com esse Duplicidade.
Gilroy tem uma certa predileção - para não dizer obsessão - por tramas de espionagem e intrigas, vide seu curriculum como roteirista. Duplicidade não é exceção. A diferença é que o novo filme do diretor explicita o que o diretor sempre fez em seus outros projetos que é justamente explorar a natureza ambígua do ser humano.
Já nota-se uma estilosa direção pela genial sequencia de créditos iniciais, quando os presidentes de duas empresas rivais se estapeiam em câmera lenta. Um pouco antes somos apresentado a Claire (Julia Roberts) e Ray (Clive Owen) em uma situação que define o evento chave do filme, cinco anos depois, quando os dois voltam a se encontrar.
Tratam-se de dois agentes secretos, trabalhando para empresas rivais que, depois de se apaixonarem, descobrem uma possibilidade de enriquecer. O problema é que para tanto os dois terão de criar confiança mútua e é daí que o roteiro tira os melhores diálogos em deliciosas batalhas verbais que remetem o filme em que os dois atores dividiram a cena cinco anos antes, Closer - Perto Demais de Mike Nichols.
Clive Owen, apesar de competente, não dá ao personagem uma individualidade que o identifique em meio a seus outros personagens, deixando assim Julia Roberts dominar a cena. A atriz está carismática, natural e deliciosamente cafageste, em seu primeiro papel realmente expressivo depois de algum tempo longe das câmeras.
Não bastasse ótimos e inteligentes diálogos, o roteiro ainda reserva uma misteriosa e intricada narrativa que brinca com a capacidade interpretativa e a imaginação do espectador. Para tanto, a direção de Gilroy deveria responder a altura do material escrito, e de forma brilhante, o diretor atende com firmeza sua proposta. Não há soluções visuais fáceis, o diretor sempre surge surpreendente e charmoso ainda que descontraído com uma narrativa que torna a metragem cada vez mais hipnótica e divertida. Há o desejo de ser inteligível, mas também há o claro interesse em fazer algo inteligente.
Em uma semana que mais um blockbuster de qualidade duvidosa se amontoa a tantos outros nas salas multiplex, Duplicidade estreia como uma boa opção para o espectador que se interessa por um entretenimento que não subestime sua capacidade de pensar.
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Xcimetro - (Ótimo)
Duplicidade
Por: Valéria Miguez
08/06/2009
''Peguem bastante pipoca, pois o filme é longo. Mas é um bom filme''
Para um casal, o fato de exercerem a mesma profissão colabora ou traz incômodos? Sendo que para essa profissão eles são treinados para mentir, e muito bem. Assim, numa situação conflitante, as desconfianças serão maiores que num outro relacionamento? Pois aqui em 'Duplicidade' o casal protagonista - Claire (Julia Roberts) e Ray (Clive Owen) -, são Espiões. Ela da CIA, e ele do MI6.
Decidem então largar a espionagem para os governos, e partirem para a industrial. Se são muito bons no que fazem, onde o risco é muito maior, acreditam que será fácil adentrar nesse novo, para eles, mercado. Onde poderiam ganhar muito mais grana. Como num jogo, meio inconsciente, ou inconsequente, além da grana, provar a si próprio que são o top de linha da espionagem. Agora, quando é o ego que dar as cartas... todo cuidado é pouco. E para apimentar... vão cada um trabalhar para dois grandes rivais da indústria de cosméticos. De um lado, Tully (Tom Wilkinson), e do outro, Garsik (Paul Giamatti).
E nesse jogo de cartas marcadas... quem estaria enganando quem?
Em relação a dupla - Roberts e Owen... Confesso que no início do filme cheguei a pensar que seria uma "continuação" do 'Sr. & Sra. Smith'. Mas ela se desfez depois. Porque em 'Duplicidade' o casal nem vivem juntos... Eles meio que se esbarram entre uma espionagem e outra. Depois, meu pensamento voou... se eles estariam "homenageando" a 'Morticia e Gomez Adams'. Ficou faltando só emplastar mais os cabelos da Julia e um bigodinho no Clive. Fico a me perguntar o porque de todo aquele laquê nos cabelos... Não sei porque o Owen contracenando com a Julia tende a ficar meio panacão. Como em 'Closer - Perto Demais'... Enfim... ficaram acima de uma atuação mediana como dupla.
O filme começa em 2003, em seguida pula para 2008, e ao longo do filme vai voltando no tempo mostrando os encontros dos dois... Num deles, ela o faz lembrar uma das regras deles, o de não confiar no que diz, ou faz. Como citei, todos estão jogando. Mas quem sairá vencedor?
Peguem bastante pipoca, pois o filme é longo. Mas é um bom filme.
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Xcimetro - (Bom)

Thornton e Wilkinson são executivos rivais da indústria farmacêutica que brigam para deter o monopólio de um mercado altamente rentável. Nesse cenário aparecem Owen e Roberts, uma dupla de espiões industriais que se junta para dar um golpe em seus respectivos chefes - Thornton e Wilkinson.
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