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CURIOSIDADES

1 - A produção do filme foi adiada devido à morte de Moustapha Akkad, o produtor de todos os 8 filmes anteriores. Akkad morreu de ferimentos graves na sequência de atentados terroristas na Jordânia em 2005.

2 - O filme não foi lançado no Dia das Bruxas nos E.U.A, como foi o original, por medo de concorrer com Jogos Mortais 4 (2007). Foi liberado então dois meses antes (Agosto).

 

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Halloween : O início

Por: Lucas Procópio
26/07/2009

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Esse cara, que se acha diretor fez o impensável: um filme que contradiz sua proposta de uma forma absurdamente estúpida''

Em 1978, um pequeno e simples filme de terror fez não só um enorme sucesso nas bilheteria como também ditou as regras do que posteriormente viria a se tornar um sub-gênero cosolidado que inspirou diretamente outros grandes sucessos do cinema de horror (por exemplo a franquia Sexta-Feira 13, cujos realizadores adimitem abertamente só ter nascido graças ao filme em questão) – trata-se dos slasher movies (filmes de maníaco) e o filme responsável por isso foi Halloween, de John Carpenter.

Na trama, um garotinho, de repente numa noite de Halloween, mata metade da família a golpes de facão. Anos mais tarde ele escapa do hospício e vai atrás da única sobrevivente do massacre, sua irmã, na época recém nascida, Laurie – o que só foi dito na continuação, Halloween 2.

A simplicidade do roteiro, a originalidade e o mistério que pairava sobre aquele estranho garotinho chamado Michael Myers que mais tarde se esconderia atrás de uma fantasmagórica e emblemática máscara sem expressão, fizeram deste filme um clássico. Como sabemos, todo clássico gera fãs…

Passados quase vinte anos do lançamento de Halloween, eis que surge a estapafurdia e desproposital idéia de um remake. Até aí tudo bem, pois o materia original tem potencial para ótimas releituras – ainda que desprovidas de propósito.

Mas aí estava o problema: Quem iria reviver o clássico de ‘78? Um fã. E um fã com um entendimento extremamente distorcido sobre os 91 minutos do longa original. Um fã com estilo próprio, no pior dos sentidos. Um fã sem noção de respeito. Um fã disposto a distorcer tudo a favor de seus pretensiosos caprichos. E pior de tudo, um fã com a idéia mais sem noção de todas: desmistificar Michael Myers através de um prequel.

Seu nome é Rob Zombie, líder de uma famosa banda de heavy metal e dono de uma mente ligeiramente doente.

Esse cara, que se diz fã da série criada por John Carpenter, também tem seus fãs, uma legião. Dito isso, pode-se imaginar o tamanho do estrago que estava prestes a acontecer… e que aconteceu.

Ao contrário da série O Massacre da Serra-Elétrica, que até por uma questão de cronologia, exigia um prequel para manter sua verossimilhança e podia faze-lo muito bem sem mexer na figura icônica do maníaco da Motosserra, Leatherface, revirar os eventos que antecederam aquela noite de Halloween implica diretamente na desestruturação da obra original e de seu êxito. Desestabilizar os alicerces era uma proposta que talvez somente o próprio realizador da obra tivesse a sabedoria e a moral necessárias para tanto e ainda assim, continuava sendo uma manobra arriscada. Pois caiu nas mãos da pessoa mais desqualificada.

O resultado é o seguinte: Ao longo do primeiro e metade do segundo ato, o roteiro acompanha a vida do menino Michael (o bom Daeg Faerch). Os motivos que Zombie usa quase pra justificar seus atos posteriores são: uma mãe stripper, um padrasto folgado, uma irmã vadia e coleguinhas de escola nada amigáveis. Ou seja, não bastasse justificar os atos delinquentes do menino, como se cada uma de suas vítimas merecesse o sanguinolento destino que lhes foi dado, como também desmistificar a representação do mal absoluto reduzindo-o a uma simples criança que reage com agressão a tudo aquilo que não lhe agrada. Será que é tão dificil de entender que Michael Myers era a representação física do mal? Uma vez que sua máscara, fantasmagoricamente branca, reproduzia uma face humana sem expressões (ou seja, sem sentimentos ou qualquer resquício que possibilitasse a leitura de suas motivações) era a síntese disso, escancarada toda vez que ele aparecia em cena em seu macacão preto, sem detalhes justamente para focar todas as atenções na máscara. Alguém por favor avise Zombie que não é preciso um cara de 2 metros de altura, sujo e cabeludo pra tornar Michael Myers ameaçador, caramba, Carpenter fez isso com uma máscara. Ou existe algo mais amedrontador do que uma máscara sem expressão sendo usada por alguém que está empunhando uma faca e, lentamente andando atrás de você? Ou uma simples e normal criança que de uma hora para a outra esfaqueia a família toda. Foi pra isso que Carpenter introduziu sua história em primeira pessoa, apenas para sabermos que sem motivo algum, da maneira mais fria possível, pessoas inocentes estão sendo brutalmente assassinadas. Quando ao fim dessa sequencia, a face angelical e inocente de uma criança é revelada, é para causar o choque, para que saibamos que o autor daquelas barbaridades é uma criança e que talvez nunca possam ser entendidas suas razões ou que talvez elas nunca tenham existido. Chegamos ao ponto: dentro daquela criança morava a maldade genuína.

E Zombie enfatiza a todo momento através do psiquiatra dr. Loomis (o mal aproveitado Malcom McDowell), lembrando a todo momento que Michael é mal. Parabéns, realmente o público precisava entender que alguém que matou a família toda não tem um bom coração. Ou não, porque segundo a ótica de Zombie, inicialmente Michael tinha motivos e justificativas sulficientes pra mandar as pobres almas pro inferno e só depois de muita análise ele vem nos informar que talvez tenha tido um pouco de maldade nos atos do menino. E ah, como ele faz questão de nos informar, agora no segundo ato, que Michael é malzão, porque nessa segunda parte ele tem que parecer ameaçador e impor respeito… mas espera um pouco, então a parte do sanatório em que Michael ficou internado durante 15 anos serviu pra que afinal? Só responda se você for um gênio que nem Zombie.

A transição pra esse estado de maldade gratuita acontece na fuga de Myers do hospital e é muito, mas muito sem noção, com direito a uma cena de estupro de terceiros.
É então que, pasmem, Michael encontra sua irmãzinha por acaso e o doutor Loomis tem agora que terminar sua missão (?) e deter Michael porque afinal de contas só o pobre doutor conhece Michael de verdade.

E da-lhe sexo gratuito, rock pesado na trilha sonora, palavrões do mais baixo calão e sangue e mais sangue e mais sangue. A lógica é bem simples: transou? morre e morre com os peitos de fora pra alegria dos tarados de plantão (e eventualmente necrófilos) que estão a se maravilhar com essa obra-prima da preguiça de pensar humana.

A “scream-queen” Jamie Lee Curtis foi substituida pela famosa-quem-? Scout Taylor-Compton em uma distorção nojenta da personagem original.

Quando no trailer anunciaram a visão extrema de Rob Zombie sobre o clássico de Carpenter, pode acreditar que anunciaram da forma mais honesta e literal possível.

Se alguém ainda tinha esperanças em relação a Zombie como diretor por causa de seu perverso longa anterior, Rejeitados pelo Diabo, saiba que aquele filme não tinha um diretor que pensava em criar personagens a favor da narrativa e da proposta, na verdade só deu certo por acaso, pura sorte. Qualquer filme de Zombie, até mesmo uma adaptação de um livro infantil, vai ser repleta de palavrões, sua mulher pseudo-atriz dançando pelada e achando que é sexy, mais meia-dúzia de peitos de fora e caras barbudos e cabeludos e muito sangue e perversão. Infelizmente tudo isso atingiu uma das maiores obras do gênero de terror.

E, depois de quase dois anos de atraso a PlayArte só reforça a idéia de que esse filme é realmente uma idiotice sem valor: afim de conseguir mais dinheiro nas bilheterias nacionais, foram desmembrados do filme cerca de 30 minutos, enxugando assim a violência e o conteúdo sexual e transformando uma metragem de quase duas horas em 83 minutos. Acreditem, é muito dificil ter ficado pior e, até existem chances da experiência ser menos sofrível.

Esse cara, que se acha diretor fez o impensável: um filme que contradiz sua proposta de uma forma absurdamente estúpida, xinga e ofende o espectador, cospe no material original e faz todos os envolvidos passarem vergonha.

E lá vem a continuação prevista pra estrear em agosto nos EUA e sabe-se lá quando no Brasil.
A salvação e o conforto vem quando lembramos que Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter, permanece intacto no posto de clássico e que o DVD está a venda e disponível para locação.



Xcimetro (Horrível)
Halloween : O início
(Halloween, 2007)
Gênero: Terror
Duração: 109 min
Origem: EUA
Estúdio: Buena Vista International
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie, Debra Hill, John Carpenter
Produção: Rob Zombie, Malek Akkad
Estréia: 31/08/2007 (EUA) 24/07/2009 (Brasil)

Sinopse:

O novo filme é uma mescla de prelúdio e refilmagem do terror original de 1978, mostrando recontar a origem do mascarado, quando ele é preso em um hospital psiquiátrico ainda criança. 17 anos depois, acaba solto por engano - e decide ir atrás da sua antiga babá, Laurie Strode (Scout Taylor-Compton, no papel que fora de Jamie Lee Curtis na série original). O maníaco adulto é agora vivido por Tyler Mane (o Dentes de Sabre do primeiro "X-Men"). Aos 10 anos, Michael Myers é um garoto problemático, excluído por todos. Sua mãe é uma stripper no clube local e vive brigando com o namorado. Para descontar sua raiva do mundo, Michael tem o hábito de maltratar animais, até que um dia o diretor da escola descobre e informa à sua mãe que o garoto possuem tendências psicopatas. Numa noite de Halloween, fantasiado com uma de suas máscaras preferidas, ele perde totalmente o controle, assassina todos na casa e vai parar num reformatório para crianças. Depois de ficar recluso por 17 anos, ele foge da instituição mental e retorna à cidade em busca de vingança e qualquer um que atravessar seu caminho, está correndo um grave perigo de morte.

Elenco:

Tyler Mane Michael Myers
Malcolm McDowell Dr. Loomis
Dee Wallace Stone Cynthia Strode
Pat Skipper Mason Strode
Daeg Faerch Michael Myers criança

Desaconselhável para menores de 14 anos
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