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PREMIAÇÕES
Oscar 2009

- Recebeu 1 indicação ao Oscar:

- Melhor Atriz (Anne Hathaway)


Globo de Ouro 2009

- Recebeu 1 indicações ao Globo de Ouro:

- Melhor Atriz (Anne Hathaway)

Independent Spirit Awards


- Recebeu 6 indicações ao Independet Spirit Awards nas categorias de:

- Melhor Filme

- Melhor Diretor
- Melhor Atriz (Anne Wathaway)
- Melhor Atriz Coadjuvante (Rosemarie DeWitt)
- Melhor Atriz Coadjuvante (Debra Winger)
- Melhor Roteiro de Estréia


CURIOSIDADES

1-
Foi Exibido na Amostra Panorama do Cinema Mundial no Festival do Rio.

 


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O Casamento de Rachel

Por: Lucas Procópio
12/02/2009

"Um fator interessante nesse tipo de filme é a oportunidade que os atores ganham de permanecer "in character", sempre rendendo ótimas e críveis atuações"

O novo trabalho de Jonathan Demme é nada mais que uma versão americana - e consequentemente mais amena - do filme dinamarquês Festa em Família de Thomas Vinterberg. Porém se comparados, o longa pioneiro do movimento Dogma sai ganhando disparado e essa não é a intenção.

Apesar de muitos dos temas e até a estética dialoguarem entre si, os filmes tem abordagens e tons diferentes.

Kim (Anne Hathaway) está saindo por uma semana da clínica de reabilitação para acompanhar os preparativos do casamento da irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt). Soma-se a isso um terrível segredo do passado, a tentativa falha de Rachel mascarar sua rivalidade com Kim e as mágoas que vem a tona e se misturam com a alegria e empolgação do exótico casamento. Pareceu familiar? E realmente é, a mesmíssima história constanmente revisitada pelo cinema, porém a premissa e o título já nos dão uma idéia do diferencial: acompanhamos o processo pelo qual Kim está passando tendo de aceitar o fato de não ser mais o centro das atenções da família.

O roteiro de Jenny Lumet nos dá aos poucos as dimensões dos sentimentos de seus personagens que Demme persegue com sua câmera em estilo documental pelos corredores da casa. Uma das diferenças é que aqui os ângulos não são sufocantes como no filme de Vinterberg e muito se assemelham a um registro amador de casamento o que nos insere de forma bastante eficiente na trama, além de deixar o drama mais natural e realista.

Algumas falhas são gritantes e essas vem principalmente do ritmo de certas cenas, longas demais, desnecessárias e enfadonhas como por exemplo o jantar entre as duas famílias que só ganha força quando Kim faz seu discurso trazendo a mesa certo constrangimento. Ainda assim, um pouco de agilidade faria bem ao filme e o ajudaria a completar os arcos e idéias, que precisam ser anexados com cautela a narrativa e respeitando a estética.

Um fator interessante nesse tipo de filme é a oportunidade que os atores ganham de permanecer "in character", sempre rendendo ótimas e críveis atuações, o que de fato acontece e nos revela uma grata surpresa: conhecida por fitas comerciais, em sua maioria comédias, a linda e carismática Anne Hathaway prova sua versatibilidade e capacidade de interpretar textos dramáticos - mas não só isso - ela entrega uma das melhores interpretações do ano numa comovente e assustadora entrega ao projeto, um mergulho precioso em sua personagem, conseguindo detalhar em nuances a complexidade de Kim, despindo-se de toda e qualquer vaidade, física ou artística. São momentos de fúria, ressentimento, mágoa, tristeza e solidão entregues com força total e sem exageros ou maneirismos.

Merecidíssimo destaque também para a maravilhosa Rosemarie DeWitt, Bill Irwin e Debra Winger como os respectivos pais das duas moças. O restante do elenco também está bastante a vontade e incontestávelmente críveis.

Aliás, boa parte da força do filme é consequencia direta do entendimento e transposição deste feito pelos atores de forma mais que satisfatória. Trabalham como um time, que aos poucos vão acrescentando doses de nuances que facilitam o espectador enxergar e entender onde o caminho que a narrativa percorre quer chegar. E ele se dá, obviamente na eclética cerimônia e festa de casamento, surpreendentemente de forma contida e anti-climática onde fortíssimas emoções culminam e variam-se entre ternos momentos de aceitação e dolorosos instantes de união.

A família destruída e feita em cacos pela tragédia que a acometeu tem sua remissão através da adição de novos membros que os unem novamente, ainda que os espinhos e farpas causem dor e sofrimento. A catalisadora disso é Kim, seu amadurecimento e sua transformação serão refletidos nos que são diretamente conectados a ela, da mesma forma que seus erros foram. E enfim, ela tem de conviver com a solidão deixada para trás por essas pessoas que agora, juntas, celebram a vida e inconscientemente a deixam sozinha, pelos cantos - o barco que navega errante pela piscina.

As explosões cessam, a tempestade vai embora e com ela leva todo o tormento que acometeu aquele grupo de pessoas chamado família, que são unidos, mesmo espacialmente distantes, por uma mistura de confusos sentimentos que jamais deixam de existir, sejam eles confrontados pela perda, sejam eles diluídos pela chegada de novos entes.

Demme, que inclusive já foi premiado pela Academia por sua direção em O Silêncio dos Inocentes, volta com dignidade e mostra que ainda tem domínio e técnica apurada, depois de alguns tropeços pelo caminho. O Casamento de Rachel é um ótimo retrato sobre a dor e a solidão, apresenta ótimos questionamentos e resolve as discussões que propõe com perfeição. Uma obra de reflexão e um belíssimo e comovente drama como poucos, que consegue se fazer único e pertinente dentro de sua exigüidade.




(Ótimo)

O casamento de Rachel
(Rachel Getting Married, 2008)
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Origem: EUA
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Jonathan Demme
Roteiro: Jenny Lumet
Produção: Neda Armian, Marc E. Platt
Estréia: 03/10/2008 (EUA) - 13/02/2009 (Brasil)

Sinopse:

Quando Kym volta para a casa da família Buchman para o casamento de sua irmã Rachel, ela traz uma longa história de crise pessoal, conflitos familiares e tragédia junto com ela. O abundante grupo de amigos e conhecidos do casal foi reunido para um final de semana alegre de muita comida, música e amor, mas Kym – com seu humor mordaz e sarcástico e com seu talento para dramas arrasadores – é um catalisador na dinâmica da família, despertando tensões há muito mantidas em ponto de ebulição
Elenco:

Anne Hathaway Kym
Rosemarie DeWitt Rachel
Mather Zickel Kieran
Bill Irwin Paul
desaconselhável para menores de 14 anos
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