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| PREMIAÇÕES |
| Oscar 2009 - Recebeu 2 indicações ao Oscar nas categorias de: - Melhor Ator (Mickey Rourke) - Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei) Globo de Ouro 2009 - Recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro e ganhou 2 nas categorías: - Melhor Ator Drama (Mickey Rourke) - Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei) -Melhor Canção Original ("The Wrestler") Bafta 2009 - Recebeu 2 indicações ao BAFTA e ganhou 1 na categoria de: - Melhor Ator (Mickey Rourke) - Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei) Independent Spirit Awards - Ganhou 3 prêmios no Independent Spirit Awards nas categoria de: - Melhor Filme - Melhor Ator (Mickey Rourke) - Melhor Fotografía - Ganhou o leão de Ouro no Festival de Veneza. |
| CURIOSIDADES |
1-O primeiro cotado pelo diretor Darren Aronofsky para viver o lutador Randy Robinson era Nicolas Cage, mas o ator desistiu do projeto, Apos a desistência de Cage, Aronofsky tentou convencer Sylvester Stallone a participar mas o ator negou o pedido pois estava ocupado demais filmando Rocky Balboa em 2006. 2- O ator Mark Margolies esteve no elenco de todos os filmes anteriores dirigidos por Darren Aronofsky. 3- Mickey Rourke e o cantor Bruce Springsteen não foram pagos por suas participações em O Lutador. 4- A Fox Searchlight Pictures adquiriu os direitos para distribuir o filme por US$ 4 milhões, no Festival de Toronto 2008. 5- Alguns ferimentos que o personagem de Mickey Rourke sofre no filme são verdadeiros e causados por ele mesmo, tais como o corte com lámina na testa para fingir sangramento dentro do ringue. 6- As filmagens ocorreram em 35 dias e o orçamento do filme foi de US$ 7 milhões. |
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O Lutador
Por: Andrey Lehnemann (crítico eventual)
12/02/2009
"Rourke acerta em cheio em todas as cenas de seu personagem"
Sempre quando irei falar de um filme de Darren Aronofsky – responsável por obras como PI, Réquiem para um sonho e Fonte da vida – , vejo o filme com meu dicionário em mãos. Por quê? Para achar novas palavras para descrever estes filmes, uma forma de inovação. Ficar sempre em adjetivos, como: Soberbo, magnífico , esplendoroso ; cansa tanto a mim quanto ao leitor. Nestas idas ao dicionário, encontrei um adjetivo ainda não usado para definir algum filme deste soberbo diretor, por minha parte. Suntuoso.
Adaptação do livro que Robert Siegel escreveu sobre Randy \"The Ram\" Robinson, um astro ficcional da luta - livre dos anos 1980. O filme nos mostra a trajetória deste lutador The Ram (Mickey Rourke) , que vinte anos depois do seu auge, segue fazendo a única coisa que sabe: lutar. Mas os tempos são outros, ele envelheceu, os fãs são poucos e o dinheiro é escasso. Mesmo assim segue se apresentando. Até o enfarto, depois de uma luta...
Forçado pelos médicos a interromper sua longeva carreira, ele começa a trabalhar no balcão de frios de um supermercado. Enquanto isso, tenta fazer as pazes com sua filha (Evan Rachel Wood) e procura algum alento romântico com uma stripper (Marisa Tomei). Mas surge, então, a proposta para uma luta com o seu maior rival, o Aiatolá (Ernest Miller), e fica difícil para The Ram resistir...
Alguém se lembrou de Rocky, um lutador lendo a sinopse? Eu, sim. A sinopse sugere uma comparação gigantesca com o filme do garanhão italiano. Com um único porém , a superação que Rocky sempre passava para o espectador não está presente de forma tão direta , como a sinopse faz a pensar. A superação de Ram nunca é mostrada para nós com treinamentos ou corridas. Ram segue um único propósito na vida que é continuar custando custe o que custar sem a esperança de um futuro bom. Muitas vezes dormindo no próprio carro, e vivendo de bebida e strippers.
O roteiro de Siegel se enfoca bem no lado humano de Ram. Desde o começo nos identificamos com seu personagem e com suas ações. Independente de quaisquer que sejam. Já que Ram nos mostra muitos defeitos também. Por exemplo, sua aproximação com a filha só depois do infarto, ou sua teimosia em continuar lutando contra a própria saúde. Ram nos mostra também que não é um lutador sedento por sangue como nos mostra nos ringues, mas uma pessoa que pode ser muito sentimental as vezes. Eis que surge Rourke.
Sem Michael Rourke provavelmente o filme de Aronofsky iria se perder num clichê e acabar como “Luta pela Esperança”. Rourke ator infelizmente desconhecido pela nova geração de espectadores , por ter uma carreira extremamente decadente dos anos 90 para cá. Rourke nos mostra a alma de seu personagem em mínimos detalhes ao espectador. Só vi duas atuações tão bem sucedidas neste quesito nos últimos anos. Heath Ledger como o Coringa e Javier Bardem como Anton Schugar.
Rourke acerta em cheio em todas as cenas de seu personagem envolvendo os sentimentos deste lutador. Desde a aproximação com a filha até seu envolvimento com uma stripper. E sua ultima cena devo dizer que me deixou paralisado, e se esta cena não é digna de ganhar uma estatueta, confesso que não sei o que a Academia procura.
Além de Rourke, outras duas atrizes se destacam também. Evan Rachel Wood mostra bem a barreira que a filha sempre coloca entre seus sentimentos por seu pai , enquanto Marisa Tomei faz um dos melhores trabalhos de sua carreira , a interpretar uma stripper extremamente ousada em todos os aspectos.
Já a trilha sonora do sempre extraordinário Clint Mansell nos relembra velhos tempos do punk rock, e sua indicação ao Oscar já está sempre garantida com as parcerias com Aronofsky. Basta lembrar-se de Réquiem para um sonho e Fonte da Vida.
Utilizando de uma técnica extremamente impecável, Aronofsky nos conquista agora , não com seus cortes sempre esteticamente irresistíveis , mas com a câmera na mão , sempre acompanhando seu personagem principal com a mesma inspiração. E aquele diretor extraordinário que um dia nos fez indagar sobre a equação matemática PI , que nos deixou em choque com sua obra-prima Réquiem para um sonho , e nos fez admirar sua obra-prima Fonte da Vida. Agora nos coloca em mãos um dos filmes mais emocionantes dos últimos tempos. Aquele que te faz pensar pode também te fazer chorar.
(Excelente)
O Lutador
Por: Lucas Procópio
12/02/2009
"Um filme acachapante sobre as escolhas de uma vida e a busca pela redenção a todo custo"
Dois filmes que estreiam nos cinemas nesta sexta-feira dividem algumas curiosas semelhanças: O Lutador e O Casamento de Rachel são ótimos filmes de personagem que contam histórias batidas, ambos filmados com câmera na mão, ambos tem a redenção como um dos temas e trazem algumas das melhores atuações do ano - Anne Hathaway e Mickey Rourke. Mas falemos de O Lutador, novo filme de Darren Aronofsky, diretor do excelente Requiém Para Um Sonho, que agora conta a história de Randy "The Ram" Robinson, lutador de vale tudo em decadência interpretado brilhantemente por Mickey Rourke, uma fênix recém saída das cinzas.
Após um infarto que o obriga parar de lutar, Randy vai reavaliar sua vida e as escolhas que fez ao longo dos anos. Ele se relaciona com a stripper Cassidy (Marisa Tomei) que o encoraja a procurar a filha (Evan Rachel Wood) que não vê há anos. Premissa simples, já contada várias vezes de várias formas, ou seja, O Lutador não acrescenta nada de novo ao sub-gênero, sendo assim ainda mais interessante e curioso que consiga ser tão único e rico e fazer-se tão emocionante.
A falta de dinheiro é evidente: são pouquíssimos os cenários, a grande maioria das cenas são "in loco" e o método de filmagem adotado é a câmera na mão. E Aronofsky é realmente brilhante, pois consegue reverter toda essa precariedade a seu favor e a usa como escolha estética, transformando-a em estilo.
No início não conhecemos Randy, suas emoções não são reveladas ao público, até o infarte só o que conhecemos são as ações do lutador e Aronofsky o foca quase sempre de costas, com certa distância, como um ícone, um mito. Finalmente, o segundo ato termina e o roteiro abre caminho para o drama através da construção de personagem e o diretor trata de nos tornar mais íntimos daquele homem, agora exposto em toda sua vulnerabilidade.
Mickey Rourke é o interprete de si mesmo aqui, personagem e ator fundem-se em suas trajetórias e Aronofsky fez uma feliz e corajosa escolha quando optou pelo astro oitentista. Rourke soube retribuir. Não é porque sua história se assemelha com a de Randy que não há construção, técnica e interpretação, muito pelo contrário. Divide com Sean Penn a melhor atuação masculina do ano - essa situação, na verdade, é bastante parecida com a de Gloria Swanson e Bette Davis em 1951: Davis era a melhor pelo total domínio da técnica em A Malvada, mas era Swanson quem comovia e entrava para a História do cinema por sua total exposição e entrega ao personagem icônico de Norma Desmond, em Crepúsculo dos Deuses, uma decadente estrela do cinema mudo que se via esquecida pela idade avançada e pelo som que havia sido anexado aos filmes. Swanson vivia a mesma situação na vida real.
Num ano de entregas, Rourke surge como a maior delas e seu saldo é igualmente o maior: a redenção completa, a salvação de uma carreira e a glória absoluta de um astro do cinema.
Ao seu lado, temos a ótima Marisa Tomei em uma ousada atuação que lhe rendeu a indicação de melhor coadjuvante ao Oscar e o furacão Evan Rachel Wood no papel de Stephanie, filha de Randy. A garota tem poucas cenas, mas está perfeita em todas elas.
As lutas são um show a parte. O realismo é perturbador e em alguns momentos se torna aflitivo. Aronofsky filma tudo muito cru, ainda mantendo vibrantes as cenas no ringue, aliado a empolgante trilha de clássicos do rock dos anos 80.
A narrativa tem um ritmo arrebatador, são sequencias rápidas e objetivas que se costuram e caminham juntas para o arrepiante terceiro ato, onde surgem as soluções para as discussões que o roteiro apresentou e que atormentaram o protagonista. E um ótimo roteiro por sinal que não peca em momento algum, não exagera nunca da mesma forma que não deixa nada faltando, nenhuma ponta solta, vencendo pela simplicidade. Os dramas do protagonista são tratados de forma que o espectador possa se conectar, são inteligíveis, o que torna a emoção algo inevitável.
Um filme acachapante sobre as escolhas de uma vida e a busca pela redenção a todo custo. O Lutador é um triunfo.
(Excelente)

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