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CURIOSIDADES

1 - No filme, Steve Lopez é retratado como divorciado. No entanto, o seu homólogo da vida real continua feliz no casamento. Lopez disse que, embora tendo-se apresentado como único recentemente no filme foi um pouco estranho, era muito mais importante para ele que os produtores do filme capturou os temas de seus artigos ao invés de fatos absolutos.

2 - A maioria dos sem-teto mostrados no filme são realmente sem-teto.

3 - Na cena em que Nathaniel Ayers e Steve Lopez vão assistir a um concerto de ensaio, todos os assentos são cobertos com lona. Esta não foi uma imagem cinematográfica, o que é realmente feito em algumas salas de concertos durante os ensaios para refletir um som mais preciso.

4 - Em abril de 2009, Nathaniel Ayers "tem uma namorada e está fazendo razoavelmente bem", segundo a Steve Lopez. Ele também aprendeu a tocar flauta.

5 - Apesar de sua desconfiança de imagens bidimensionais, Nathaniel Ayers foi assistir à estréia do filme em Los Angeles com sua família, que voou para a ocasião. Ele raramente assiste a filmes ou televisão.

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O Solista


Por: Lucas Procópio
06/11/2009


"O mérito vai todinho para Wright que sabe extrair as mais belas e acachapantes imagens de um material sem o menor fôlego narrativo"

A função de um diretor em um filme é de longe a mais importante e a que mais oferece possibilidades. Existem muitos casos em que uma boa direção consegue subverter um roteiro fraco e transforma-lo em um bom filme, afinal, seu trabalho é traduzir em imagens a trama tecida em palavras.

Joe Wright não é apenas um ótimo tradutor como sabe elevar um texto à potência máxima de qualidade quando o traduz para as imagens. Provou isso em Orgulho e Preconceito dando todo um frescor à adaptação de Jane Austen e em Desejo e Reparação onde criou uma das narrativas visuais mais interessantes da década baseado na obra-prima de Ian McEwan.

Em seu primeiro filme em solo americano, o jovem inglês caiu em uma armadilha. Se antes Wright tinha como aliados dois brilhantes e inspiradores textos, aqui ele enfrentou exatamente o oposto: sua missão foi traduzir em imagens a péssima adaptação de uma autobiografia extremamente egoncentrista e paternalista. A roteirista Susannah Grant não só tratou de enfatizar tais elementos em seu roteiro, como intricar a trama de tal forma que não se pôde sequer saber com clareza a que o filme se propõe.

Narrando a história verídica de Steve Lopez, famoso jornalista de Los Angeles, que se comove com o dom de Nathaniel, um morador de rua que mostra paixão e talento absurdos para a música, o filme nos faz questionar o tempo todo o seu propósito. Não há foco, não há rumo. A única coisa que fica clara é que o sentido primário foi a auto promoção e Robert Downey Jr. não consegue nos convencer do contrário na pele do jornalista bondoso.

Wright erra usando sua técnica de potencialização - a trama pedia o máximo de contenção e sutilezas, já que Grant usa todo tipo de artíficio narrativo para contar a história de Lopez. E dá-lhe fluxo de consciência misturado com flashback justificativo.

O Solista é, portanto, um filme que funciona em fragmentos, e o mérito vai todinho para Wright que sabe extrair as mais belas e acachapantes imagens de um material sem o menor fôlego narrativo. São momentos sublimes, alguns grandiosos, outros de composição visual simples porém elegantemente conduzidos, que salvam os sofríveis 117 minutos. Uma pena. O verdadeiro solista aqui é Joe Wright, brilhante e talentoso, tocando em seu instrumento uma partitura composta por notas incapazes de formar melodia alguma. Entretanto, suas duas grandes performances estão disponíveis para locação e merecem ser aplaudidas de pé todas as vezes que forem "escutadas".



O Solista

Por: Valéria Miguez
01/02/2010


"Quem estaria ajudando quem?"

Sensacional! Um filme que fala à nossa alma! Principalmente pela atuação desses dois: Robert Downey Jr. e Jamie Foxx. E até por conta deles, eu, que estava em dúvida por onde começaria o texto, me sinto como um Mestre de Cerimônia, honrada, em apresentar-lhes. Pedindo até, àqueles que tenham algum preconceito em relação a esses dois atores, que dispam dessa carga. Porque eles estão magistrais. Ambos encarnaram de corpo e alma seus personagens em 'O Solista'. Great!

O filme é baseado numa história real. Só isso já me motiva a ver. Mas o que me levou de fato a assistir, foi para ver a atuação de Jamie Foxx. E fui recompensada com duas performances sublimes. Estou até repetitiva, mas é que eu amei esse filme. E o Downey também me motiva a ver. Mais! Porque vê-lo atuando, me leva a pensar que está se distanciando do mundo das drogas. Good!

Robert Downey Jr. interpreta Steve Lopez. Um jornalista dono de uma coluna diária, e na primeira página do LA Times. Ai, a princípio vem o óbvio: de que ele está sempre atrás de matérias. Numa mesmo de: precisar manter o emprego. E nessa, salvar o emprego de outros mais. Pois se a tiragem diminui, os acionistas irão chiar. Mais! Virão com um: 'cortem as cabeças!'

'Uma pesquisa mostra que entre os americanos menores de 35 anos, só 40% ler jornal.'

É fala do filme. Eu a trouxe para que vejam que mesmo estando sempre em busca de estórias, quem escreve vive na corda bamba. Oscilando entre escrever um importante artigo, ou um que atraia leitores. Não se pode dizer que ele, o Steve, era pressionado. Além de já ter sido casado com a Editora Chefe do jornal, Mary (Catherine Keener), ele tinha leitores fãs. Gente que gostavam das suas estórias. Dessa união com Mary, tinham um filho que pouco se falavam.

Seria isso um fato de que Steve não tinha acesso aos mais jovens? Ou a sua ferramenta - mídia impressa - estaria ultrapassada?

Eu confesso que já não leio mais jornais como antigamente. Pagando pela internet, é nela que leio as notícias. Antes dela, mantinha o hábito de ler jornais desde a infância. No filme, uma enfermeira, bem jovem, diz ao Steve que o pai dela é que é fã dele, mas que ela não lê jornal. Dai ter ressaltado essa parte. Para tirar a ideia de que Steve fez o que fez somente por conta de aumentar a vendagem do jornal. Só por salvar vários colegas de serem demitidos, já seria louvável. Mas também nem foi pelo fato de que essa nova estória, quase em capítulos, tenha agradado o seu público cativo. Pode até ter sido por uma junção disso, a princípio. O lance é que nem Steve percebeu. Além de estar nascendo uma linda amizade, Steve conheceu sua própria essência.

'Há algo maior lá fora. Ele vive nele. E ele está com ele.'

É tocante quando se fala de religiosidade, sem falar dela, nem muito menos de religião. Quando não se fala na fé, mas a sente no âmago. O mundo carece dessa parada. Desse solo entre você e seu self. De parar e ouvir o que essa força está nos dizendo. E buscar no seu dom uma maneira de traduzir essa mensagem; essa sensação.

'Nunca amei nada como ele ama a música.'


Sua ex esposa, Mary, se ressente ao ouvir Steve dizer isso. Me colocando no lugar dela... mesmo vendo o brilho nos olhos dele ao contar a sua experiência naquele dia... fica difícil entender em não ter sido assim tão importante para a pessoa amada. Por outro lado, há momentos solitários onde a sensação de êxtase é tão intensa, que fica difícil traduzir, que dirá comparar com outras emoções sentidas. Tem aquela que lhe muito íntima e pessoal. Não dá para pesar certas emoções. Steve recebeu uma graça junto a Nathaniel...

'Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos... (São Mateus)'

Jamie Foxx interpreta Nathaniel Anthony Ayers. Um músico, morador de ruas que quis o destino que Steve o encontrasse. Ele tocava uma música de Stevie Wonder, num violino de duas cordas. Numa conversa meio doida, Steve vê ali mais uma estória para a sua coluna. Numa pesquisa, descobre que ele de fato cursou uma importante escola de música, a Juilliard. Mas por problemas mentais, não chegou a concluir.

'Um homem só precisa daquilo que pode carregar.'

Nathaniel deixa Nova Iorque para trás, indo morar nas ruas de Los Angeles. Deixa o frio intenso, pelos dias ensolarados. Tendo um carrinho de mercado como casa portátil. Ali, carrega tudo que lhe é essencial. Mesmo sem entender o porque, deixa um pequeno acesso para que Steve se aproxime dele. Ele faz Steve cortar um dobrado... Ambos, possuem pesos diferentes para o que lhes é essencial...

'Cante para expulsar o ódio!'

Steve fica meio obcecado tentando ajudá-lo. Faz do violoncelo - que uma leitora enviou para o Nathaniel -, o objeto de troca: dele ir morar num abrigo para indigentes. É quando conhecemos um lado de Los Angeles não divulgado: uma zona onde a pobreza convive com a marginalidade. É de assustar! Tão diferente de onde tem as grandes mansões. O Prefeito, na frente de personalidades, diz que irá dar um jeito na pobreza que vive nas ruas de LA. Mas a solução encontrada... Limpeza na favela com policiais. Dados do filme, falam que há 90.000 sem-tetos nas ruas de LA. Alguém vê isso nas grandes mídias? Creio que só se pesquisar bem. Isso só dá manchete, se for de outro país.

Nathaniel termina cedendo. Vai até o abrigo. E dá um lindo solo para os que vivem ali. É de arrepiar! Quem disse que pobre não gosta dos Clássicos nunca viu o Projeto Aquarius. Mas ele não gosta dali. Steve então arruma um apartamento para ele. Dando de presente, um busto de Beethoven. A paixão de Nathaniel.

'Nathaniel tem algo bom. Um amigo. Se você trai a amizade, destruirá a única coisa que ele tem no mundo.'

Depois, Steve pensa em interná-lo. Achando que com medicação, Nathaniel irá controlar a sua doença. Que sairá das ruas. Que concluirá os estudos. Que subirá ao palco. Steve acredita e investe nisso. É quando têm uma briga feia. Cortando a relação. Nathaniel tem medo das vozes que ouve, mas crê que precisa delas. Ele tem esquizofrenia. Isso não é a minha praia. Dai não sei se o fato de ter seu quarto num porão escuro, quando criança, já seria um sinal. Ele é como uma criança assustada. Steve, tenta ser como um pai zeloso, mas sem ao certo saber como agir.

'Não pode consertar a cidade... E nunca vai curar Nathaniel. Só ser seu amigo e aparecer.'

Que bom que na vida de Nathaniel apareceu o Steve. Que esse, tinha na ex mulher uma amiga que aparece na hora certa... E bom também que Steve teve com Nathaniel, a chance de mudar... De reavaliar seus conceitos. E por que não? De dar mais tempo para si mesmo. Se abrirmos a nossa percepção o mundo se comunica conosco. Pois ele também pulsa a cada instante. Independe de estar são, ou não... É a vida nos chamando para vivê-la. A música, é mais um jeito dela chegar a nós.

Meus aplausos calorosos a Nathaniel e Steve! Bravo!

Nem precisa dizer que a Trilha Sonora também veio a somar para deixar esse filme na memória. Desse excelente filme! Não deixem de ver.





O Solista
(The Solist, 2009)
Gênero: Drama
Duração: 107 min
Origem: Inglaterra - EUA - França
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Joe Wright
Roteiro: Susannah Grant, Steve Lopez
Produção: Gary Foster, Russ Krasnoff
Estréia: 24/04/2009 (EUA) 06/11/2009 (Brasil)

Sinopse:

Drama baseado em fatos reais sobre o redentor poder da música. Na história, o jornalista Steve Lopez (Robert Downey Jr.) descobre por acaso a existência de Nathaniel Anthony Ayers (Jamie Foxx), um ex-estudante da universidade Julliard e prodígio em música clássica, que agora se vê na condição de sem-teto e passa os dias tocando violino e violoncelo nas ruas de Los Angeles. Um talento nato, seu sonho é um dia tocar no Walt Disney Music Hall. Enquanto o jornalista Lopez faz de tudo para ajudar o jovem músico a reencontrar seu caminho, nasce entre eles uma bela amizade que transformará completamente suas vidas.

Elenco:

Jamie Foxx Nathaniel Ayers
Robert Downey Jr. Steve Lopez
Catherine Keener Mary Weston
Tom Hollander Graham Claydon
Lisa Gay Hamilton Jennifer Ayers
Nelsan Ellis David Carter

Desaconselhável para menores de 12 anos
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