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1- A produção de W. começou apenas em 2008, após as filmagens de Pinkville, que seria dirigido por Oliver Stone, serem canceladas apenas duas semanas antes de seu início. 2- Inicialmente seria Christian Bale o intérprete de George W. Bush. O ator chegou a realizar diversos testes, mas desistiu do projeto pouco antes do início das filmagens. 3- Oliver Stone ofereceu o personagem George H.W. Bush a Warren Beatty e Harrison Ford. 4- Robert Duvall esteve cotado para interpretar Dick Cheney. 5- Josh Brolin assistiu a diversos vídeos de George W. Bush, para acompanhar seu estilo e modo de caminhar. Além disto o ator passou a ligar para diversos hotéis do Texas, apenas para ouvir como era o sotaque local. 6- As filmagens ocorreram de forma sequencial, entre 12 de maio e 11 de julho de 2008. Com isso Josh Brolin teve que perder vários quilos para interpretar George W. Bush em sua juventude, ganhando peso à medida que o personagem chegava à meia-idade. 7- Quando George W. Bush entra no salão oval da Casa Branca é visto acima de sua cabeça um retrato de John Quincy Adams. Trata-se do único outro filho de presidente a ser também eleito para o cargo. 8- Na edição final foi cortada uma cena com Michael Shannon, em que interpretava Arthur Blessitt. 9- O orçamento de W. foi de US$ 25,1 milhões. Fonte: Adoro Cinema |
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W.
Por: Lucas Procópio
22/04/2009
''W. falha como biografia política, e temos que agradecer por isso, uma vez que funciona muito bem como a obra cinematográfica que é''
O diretor Oliver Stone surpreendeu a todos quando anunciou que seu mais novo projeto seria a biografia de George W. Bush, e isso, enquanto o presidente ainda estava ocupando a presidência dos Estados Unidos. Considerando sua filmografia polêmica e sua postura totalmente anti-Bush, o público e a crítica começaram desde então, cultuar o projeto esperando um filme cínico, crítico e irônico. Muitos até cotaram o filme como o mais esperado do ano e a cada novidade divulgada, salivavam mais e mais pelo filme.
Quando W. estreou, a decepção foi imensa, críticos se voltaram contra Stone pela falta de polêmica e logo trataram de cotar o filme como fraco.
O que ninguém entendeu é que, até quando Stone opta por não ser polêmico, ele é. W. é mais sobre Stone e o público do que sobre o próprio presidente.
O mais engraçado disso tudo foi que vários conceituados críticos de cinema, movidos pela decepção, classificaram o filme como ruim atribuindo a falta de qualidade pelo que o diretor poderia ter feito e não fez - mas e o filme em si? a obra já realizada? até onde sei, não são fatores externos que definem a qualidade ou a falta dela em um filme.
Uma obra baseada em fatos reais não tem a obrigação de seguir a opinião da maioria sobre o fato em questão. A birra, afinal, se deve muito mais ao roteiro de Stanley Weiser do que propriamente a direção de Stone.
Acompanhamos a trajetória do ex-presidente desde quando este era apenas um estudante. O roteiro aborda os problemas com o alcoolismo, a vida familiar, a rivalidade com o pai e a passividade para com os acessores por um viés que coloca o protagonista como o catalisador de tudo isso: passivo, patético e perdido, porém nunca vitimizado.
O texto tem sim suas falhas, como uma certa falta de rumo que acaba deixando a narrativa um tanto quanto turva.
Stone deixa o circo pegar fogo, apenas observando o texto ser encenado, interferindo apenas para adicionar ênfases. Se há alguma ironia, ela vem da poderosa performance de Josh Brolin, que escapa da caricatura e entrega um personagem crível, longe da imitação, respondendo com inteligência aos acontecimentos propostos pelo texto. A partir das nuances de Brolin as leituras gerais começam a se revelar. E não é uma fraqueza de Stone, pelo contrário, desde os primeiros planos ele entrega essa responsabilidade ao ator em um take onde a câmera flerta com os olhos do personagem. A câmera se distancia de Bush e nos revela um estádio onde ele se encontra no meio do campo, saudando a platéia, vazia.
Ou mesmo antes, nos créditos que anunciam o filme: o primeiro nome é o de Josh Brolin, seguido pelo "written by Stanley Weiser" e por último o crédito da direção de Oliver Stone.
Na verdade, o diretor se mostra muito bem aqui. Não, não é irônico, mas é um bom diretor de cinema e é isso o que está em questão. A escolha dos movimentos de câmera adequando-se a singularidade de cada cena, a forma como move-se ao redor do protagonista e em certos takes o sufoca, o bom uso do foco... tudo casa-se perfeitamente com bastante segurança e coerência.
O elenco é irregular, sendo Josh Brolin o maior destaque, mostrando-se cada vez melhor após sua volta triunfal em 2007. Deveria ter tido maior reconhecimento por seu trabalho aqui.
De qualquer forma, no fim das contas, sim, W. falha como biografia política, e temos que agradecer por isso uma vez que funciona muito bem como a obra cinematográfica que é. Um drama com certa dose de sátira e humor. Por pior que tenha sido Bush como presidente, e ele realmente foi, não podemos negar que W. consegue ser um ótimo filme sem maiores críticas ou denuncias ao governo do republicano caipira.
Para quem quer ironia, está lá, na genial e hilariante última cena, Stone gargalhando de tudo isso e encerrando seu filme da forma mais coerente possível.
(Ótimo)

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